segunda-feira, 29 de abril de 2019


VOO ANTIGO

naquele tempo eu voava
sobrevoava um castelo
encantado
em seu interior
vivia
meu amado

sonia delsin 

domingo, 28 de abril de 2019




BORBOLETAS... NA JANELA

A vidraça deixando a mostra o ambiente lá fora
A verde mata
E as borboletas a espreitar
quase a desanimar
Batem as asas
Chocam-se contra o vidro
E os olhos da menina presos nelas
Achando-as tão belas
Tão belas
E frágeis
As pequenas mãos incapazes de abrir a vidraça
...
De repente uma corrida à cozinha
...
E Tonha vindo enxugando as mãos no avental
-- Tonha socorra as pobrezinhas!
-- Como entraram aqui?
-- Pela porta aberta, Tonha. Abra, abra!
-- Já abro, menina, já abro
...
E as borboletas a voar
lá fora
E o olhar
O olhar de Mariana descansando nas mãos de Tonha
Tão suaves, tão acariciadoras, tão trabalhadoras e libertadoras

sonia delsin 




SURREAL

Deixo a vida
Não a deixo
Nem ela me deixa
Não é uma queixa
Deixo um estado do viver
Para outro caminho empreender
O caminho de luz que me conduz
A outra compreensão
Há uma mão
Uma mão estendida
Ela vem me socorrer?
Ela vem me mostrar o “viver”
O sentido do “viver”
E uma voz conversa comigo
Não uma voz retumbante
Nem possante
Uma voz calma, quase inaudível
Ouvi-la me traz paz
Me traz outra dimensão de mim
E no embalo desta voz vou me adentrando
E adentrando outros espaços
Imperceptíveis
Já percebo que estou num ambiente menos denso
Sou o que penso
Sou
E a voz me guiando
E a mão me levando
Lentamente
Suavemente
É um sonho?
E o que é sonho?
O que é real?

sonia delsin 





AH! O TEMPO DE CINDERELA!

Meus ouvidos não se cansavam de ouvir
as estórias que mamãe contava
Eu voava
Ia aos castelos de sonhos
Vestia as vestimentas encantadoras
Via a abóbora se transformando em carruagem
Fazia uma viagem
do borralho
ao palácio encantado,
ao príncipe tão almejado,
ao baile tão esperado
E a fada madrinha com sua varinha
dançava diante de meus olhos
Eu a via compenetrada
transformando minha infância numa luminosa estrada

sonia delsin 





CAI A TARDE

O horizonte é fogo ardente
Meu olhar lágrimas
E o sino tangendo

sonia delsin 



VOLTO A VOAR

as asas feridas
se curaram
era empreender voo
ou estacionar
no desértico desesperar
escolhi viajar
além mar
além olhar
além...
além do imaginar

sonia delsin 




RAROS MOMENTOS

se tivéssemos tido
tempo
se tivéssemos deixado
que as borboletas voassem
que os pássaros cantassem
se tivéssemos tido
coragem
de dar asas à imaginação
atracar a embarcação
não teríamos despencado
no mar da
desilusão

sonia delsin 




DA DOR

uma fisgada
uma pontada
ali
no peito
um aperto
um sufoco
um não entender
a dor

sonia delsin 




DO AMOR

silenciosas horas
a divagar
a viajar...
no tempo a viajar
ao encontro das pétalas
da grama verdejante
do viajante
ó tu que viajavas
nos meus sonhos
ias
voltavas
ias
era tudo literalmente
poesia

sonia delsin 

sábado, 27 de abril de 2019




CIRANDA DE PEDRA

O cachorrinho ali a farejar
A buscar
Nas estatuetas de pedras a vida ele parece buscar

sonia delsin 

quinta-feira, 25 de abril de 2019




TEMPO DE BORBOLETAS

No jardim as flores se balançam
É o vento
E as borboletas chegam festivas
Vão de flor em flor
Que amor!

sonia delsin 

terça-feira, 23 de abril de 2019




ADMITIR

Mentir que nunca te amei?
Para que isso?
Melhor admitir
Sim admitir
Que o amor existiu
Que foi lindo
Que durou o tempo que tinha que durar

sonia delsin 




DO PASSADO

Dorme no passado minha boneca de pano
Dormem os planos
Os anos
Dorme no meu passado o balanço
...
Porém me lanço
Nas lembranças me lanço
E reencontro a menina sonhadora
Olhos flamejantes
A contar as estrelas do firmamento
Quanta esperança!
Quanto sentimento!
Volto àquela idade
Volto àquela terra
Àquela cidade
Sinto a alma embriagada de felicidade

sonia delsin 




VIDA

Vi o rio a correr
Águas revoltas
Vi aves festejando
Soltas
Vi a vida caminhando
Vi jardins
Vi crianças
Pureza
Beleza
Tive dúvidas
Quantas incertezas!
Vi caminhos
Senti os espinhos
Vi fontes
E a sede permanecendo
Era uma sede antiga
Incapaz de ser saciada
Me senti tão amada
E amparada
Vi tanta coisa
Que fiquei pasmada
E a vida sempre a insistir
Viva!

sonia delsin 



CANÇÃO

Os dedos sobre as teclas
O som
A canção
De ontem

sonia delsin 


segunda-feira, 22 de abril de 2019




AS ASAS DO ANJO

Ele aparecia sempre quando ela o chamava
Vinha com um sorriso no rosto
Rosto angelical
Era um amigo especial

sonia delsin 



FANTASIA?

Ela ria
Ria
Tanta fantasia!
Mas quanta alegria!
Divagar
Viajar
Em nuvens fofas escorregar
Castelos de sonho criar

sonia delsin 




ME DÊ A MÃO

Uma mão retida
Uma mão estendida
Uma vida
Uma vida para lembrar
Uma vida para esquecer
Morrer?
Viver

sonia delsin 




TÃO BONITA!

De olhos cerrados
Ela estava partindo
Indo
Mas eu guardava n’alma
Uns olhos azuis tão bonitos
E guardava uma voz que ainda ressoava calma, feliz
Era uma pequena “aprendiz”
Do “viver”
E tão cedo passou pela experiência do “morrer”

sonia delsin 




OLHOS NO VENTO

Sofrimento?
Lamento?
Ela deitava os olhos no vento
Nas folhas agitadas
Nas tardes geladas
De um tempo morto

sonia delsin 




REDES NA VARANDA

O caminhar lento
O pensamento
Redes na varanda
Um tempo dedicado a tudo,
a nada

sonia delsin 




NO CAIS

ficaram a chorar no cais
águas revoltas
almas soltas
mar agitado a devolver rosas
e espinhos
mar a devolver
a devolver
almas a sofrer
a sofrer

sonia delsin 





QUEM SABE AMANHÃ!

Ela vivia a adiar
Quem sabe amanhã!
Vivia a esperar
Milagres do amanhã
Mas o tempo veio lhe mostrar
Que é o presente que devemos agarrar
Que devemos ao instante nos entregar
Viver intensamente
A vida em si já é uma dádiva
Nosso presente

sonia delsin 




QUANTA ALEGRIA!

Deslizo meus dedos pela tua face macia
Acariciar-te
Quanta alegria!

sonia delsin 

domingo, 21 de abril de 2019




RIMAS

Velas sob o luar
Um mar liso
Um olhar
Uma lágrima dependurada
Mais nada

sonia delsin 




MATAR DE PRAZER

Ela chegava com sua pele branca
Uma pinta na face
Um disfarce
Olhos velados
Calados
Uma boca vermelha
Rosa carmim
Trazia um lenço na bolsa de mão
Choraria noutra estação

sonia delsin 




NÃO LAMENTO

Não lamento a rosa despetalada
Nem a lágrima na calçada
Nem o vento
Nem o sofrimento
Tudo fez parte do caminhar
Até mesmo a estrela que se ocultou de meu olhar

sonia delsin 




TRATADO DE PAZ

Viviam guerreando
Viviam se gladiando
Dois estranhos
E tão conhecidos
Até que lhes chegou compreensão
Estenderam uma bandeira branca na janela
E vivem quietamente lá dentro da sala
A observar o correr das horas
Num relógio antigo

sonia delsin 




PURO ESPANTO

Chego lentamente frente ao espelho
E olho
Enxergo além do brilho de agora
Enxergo um ser antigo
Alguém de outrora
Está lá dentro
E atravessa eternidades comigo

sonia delsin