quarta-feira, 3 de julho de 2019




UM PARTIR... SEM IR

deixei dependurado meu coração
nalgum ramo
da jabuticabeira florida

outros tempos
outros dias
da minha vida

morto levanto
caminho

ando, ando
na terra amada
bebo o orvalho
deito a mão no galho
da árvore
favorita

e falo
e grito aos ventos
e digo que pertenço à terra
“que ela me pertence”
não no sentido da posse
é um pertencer nos sentimentos
nela vivi doces momentos

bebi da água da fonte
fui pequenino
fui gigante
alcancei os tetos do paiol
no rancho trabalhei
silenciei
para ouvir o canto dos pássaros
ouvir o ranger dos bambuzais
quantos risos!
quantos ais!

e parti
e lá deixei
o coração
os músculos
deixei suor
e lágrimas

e a terra armazenou
lembranças
fecho os olhos
me voltam as crianças....
tudo me volta
e isto me basta

sonia delsin 

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